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Neste sábado, atividades no Museu do Doce destacaram o trabalho das doceiras e a participação da população negra na formação de um dos principais patrimônios culturais da cidade. Município também avança em projetos sociais e prepara programação pelos 214 anos.

Por Redação Pelotas VIP
Pelotas, 13 de junho de 2026

Pelotas viveu neste sábado um dia marcado pela valorização de sua identidade cultural e pelo anúncio de iniciativas nas áreas de saúde, esporte e qualidade de vida. No Centro Histórico, uma programação realizada no Museu do Doce colocou em destaque as mulheres que ajudaram a transformar receitas, técnicas culinárias e conhecimentos familiares em um dos símbolos mais conhecidos do município.

A atividade celebrou o Dia Nacional da Doceira, comemorado oficialmente em 6 de junho, mas lembrado neste ano em Pelotas no sábado, dia 13. A programação reuniu visitas guiadas, palestras e momentos dedicados à história e à preservação dos saberes doceiros.

Doceiras ajudaram a construir a identidade da cidade

Muito antes de receber reconhecimento nacional, Pelotas já era conhecida pela produção de doces finos e coloniais. Esse conhecimento foi mantido principalmente por mulheres que transmitiram receitas e técnicas entre diferentes gerações.

Durante o encontro no Museu do Doce, pesquisadores e representantes do setor cultural destacaram que a tradição pelotense não se resume aos produtos vendidos em confeitarias, feiras e eventos. Ela envolve memória familiar, modos de preparo, instrumentos, relações de trabalho e conhecimentos construídos ao longo do tempo.

As Tradições Doceiras da Região de Pelotas e Antiga Pelotas estão registradas como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil desde 2018. O reconhecimento contempla também Morro Redondo, Turuçu, Capão do Leão e Arroio do Padre.

Participação negra recebe maior reconhecimento

Um dos pontos abordados na programação foi a participação da população negra na formação da tradição doceira. A historiadora Suéllen de Medeiros Cortes ressaltou que os doces característicos da cidade foram desenvolvidos a partir do encontro entre receitas de origem portuguesa e conhecimentos culinários produzidos localmente por trabalhadores negros.

Essa contribuição histórica nem sempre recebeu a mesma visibilidade dada às famílias proprietárias de charqueadas e casarões. A ampliação das pesquisas e das ações educativas permite compreender que a fama doceira de Pelotas também foi construída pelo trabalho de pessoas escravizadas, libertas, cozinheiras, trabalhadoras domésticas e doceiras negras.

Ao incorporar essas trajetórias, a preservação do patrimônio passa a representar de maneira mais ampla os diferentes grupos que participaram da formação social e econômica da cidade.

Museu do Doce guarda parte dessa memória

Fundado em 2013, o Museu do Doce funciona no Casarão 8 da Praça Coronel Pedro Osório. O prédio integra o conjunto arquitetônico protegido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

O acervo reúne documentos, fotografias, objetos, publicações e outras referências relacionadas à história da produção doceira. Além de conservar peças, o espaço promove atividades educativas, visitas e pesquisas que aproximam moradores e turistas do patrimônio cultural pelotense.

Um dos desafios apontados por pesquisadores e gestores culturais é garantir a continuidade dos conhecimentos. Algumas receitas, especialmente as relacionadas aos doces de frutas, correm maior risco de desaparecer à medida que diminui o número de pessoas dedicadas aos processos tradicionais de produção.

Tradição também movimenta a economia

A cultura doceira possui impacto direto sobre o turismo, o comércio, a gastronomia e a geração de renda. Confeitarias, produtores artesanais, restaurantes, hotéis e serviços turísticos se beneficiam da imagem de Pelotas como destino cultural e gastronômico.

A tradição também se renova. Ao lado de camafeus, bem-casados, quindins, ninhos, pastéis de Santa Clara e doces de frutas, novos produtos passam a integrar vitrines e redes sociais. A incorporação de receitas contemporâneas mostra que um patrimônio vivo não precisa permanecer parado no tempo, desde que seus conhecimentos fundamentais sejam reconhecidos e preservados.

Novas medidas para saúde e qualidade de vida

Além da programação cultural, a Prefeitura divulgou neste sábado a sanção dos projetos que tornam permanente o programa Vida Ativa Mais e criam a Fundação Pública Hildete Bahia da Luz.

A nova fundação deverá receber administrativamente cerca de 350 funcionários do Pronto-Socorro de Pelotas atualmente vinculados à Associação Pelotense de Apoio à Cultura quando o novo Hospital de Pronto-Socorro entrar em funcionamento. O Vida Ativa Mais, por sua vez, passa a ter caráter permanente, mantendo ações direcionadas à atividade física e à qualidade de vida.

Vacinação contra a gripe continua

Na área da saúde, Pelotas recebeu uma nova remessa de 16 mil doses da vacina contra a influenza. Segundo o Município, aproximadamente 59 mil pessoas haviam sido imunizadas desde o começo da campanha, considerando os grupos prioritários e o público em geral.

As doses estão disponíveis na rede municipal, e a vacinação foi ampliada para a população em geral. A medida procura aumentar a cobertura antes do período de maior circulação de doenças respiratórias associado aos meses mais frios.

Corrida retorna nas comemorações do aniversário

A cidade também começou a preparar as atividades pelos seus 214 anos, celebrados em julho. Após dois anos de interrupção, a Corrida Cidade de Pelotas retornará no dia 5 de julho.

A oitava edição terá mil vagas gratuitas, número considerado inédito pela organização. O evento integra a programação do aniversário e busca reunir esporte, lazer e convivência comunitária.

Passado e futuro no mesmo cenário

As atividades deste sábado mostram diferentes dimensões de Pelotas. De um lado, a cidade procura reconhecer as doceiras e os grupos sociais responsáveis por um patrimônio construído durante gerações. De outro, avança em programas voltados à saúde, à atividade física e à reorganização dos serviços públicos.

Preservar os doces tradicionais, os casarões e a memória das famílias não significa apenas olhar para o passado. Quando associada à educação, ao turismo e ao desenvolvimento econômico, a cultura pode gerar trabalho, fortalecer pequenos empreendimentos e criar novas oportunidades.

Pelotas chega às proximidades de seu 214º aniversário com o desafio de cuidar de sua história sem deixar de enfrentar as necessidades atuais da população. Entre a memória doceira e os novos projetos urbanos e sociais, a cidade procura construir um futuro que mantenha suas características sem permanecer presa ao passado.


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