CTGs de Pelotas mantêm viva a tradição gaúcha entre galpões, invernadas e memória cultural

CTGs de Pelotas mantêm viva a tradição gaúcha entre galpões, invernadas e memória cultural

Das entidades centenárias aos grupos ligados a escolas e universidades, o tradicionalismo em Pelotas reúne dança, música, campeirismo, história e convivência comunitária.

Em Pelotas, os Centros de Tradições Gaúchas são mais do que locais de fandango ou encontros durante a Semana Farroupilha. Eles funcionam como espaços de preservação da memória, formação cultural, convivência entre gerações e valorização dos costumes do Rio Grande do Sul. Nos galpões, nas invernadas, nas tertúlias, nas cavalgadas e nas atividades campeiras, a cidade mantém uma relação forte com o tradicionalismo.

A ligação de Pelotas com a cultura gaúcha é antiga. Um dos principais símbolos é a União Gaúcha João Simões Lopes Neto, entidade fundada em 1899 e ligada à memória do escritor pelotense João Simões Lopes Neto. No interior da entidade funciona o Museu Crioulo, criado para preservar objetos, documentos e referências da cultura gaúcha, com visitações agendadas.

A força do tradicionalismo pelotense também aparece na quantidade de entidades registradas em listas do Movimento Tradicionalista Gaúcho. Entre os nomes ligados ao município estão CTG União Gaúcha João Simões Lopes Neto, CTG Carreteiros do Sul, CTG Cel. Thomaz Luiz Osório, CTG Negrinho do Pastoreio, CTG Os Farrapos, CTG Sinuelo do Sul e CTG Candeeiro Crioulo, além de piquetes e grupos folclóricos.

Essas entidades cumprem papéis diferentes, mas complementares. Algumas têm forte atuação artística, com invernadas mirim, juvenil e adulta. Outras se destacam pelas atividades campeiras, pela culinária, pelos bailes, pela formação de prendas e peões, ou pela participação em eventos oficiais. Em comum, todas ajudam a manter vivos hábitos ligados à indumentária, à música, à dança, à oralidade, ao chimarrão, à hospitalidade e à memória do campo.

A presença de CTGs em instituições de ensino também reforça esse caráter formativo. O projeto do CTG Os Carreteiros da UFPel, por exemplo, registra a proposta de difundir a cultura do Rio Grande do Sul dentro e fora da universidade, envolvendo comunidade acadêmica e população em atividades de dança, música, declamação, jogos e ações campeiras.

O ponto alto do calendário tradicionalista é a Semana Farroupilha. Em Pelotas, o desfile e as programações de setembro costumam reunir CTGs, piquetes, escolas, famílias e grupos culturais. Em registro da Prefeitura, entidades como CTG Rancho Grande, Carreteiros do Sul, Negrinho do Pastoreio, Raízes do Sul, Coronel Thomaz Luiz Osório, Sinuelo do Sul, Os Carreteiros, Os Farrapos e outras participaram das comemorações farroupilhas no município.

Mais do que uma celebração anual, os CTGs atuam como espaços de pertencimento. Crianças aprendem os primeiros passos das danças tradicionais, jovens assumem funções em invernadas e concursos, adultos trabalham na organização das atividades, e antigos integrantes transmitem histórias, códigos de convivência e saberes que não estão apenas nos livros.

O desafio atual é manter essa tradição conectada com o presente. Para continuar atraindo novas gerações, os CTGs precisam equilibrar preservação cultural, gestão, inclusão, acesso da comunidade e diálogo com a vida urbana. O próprio governo estadual tem tratado os CTGs como potenciais pontos de visitação e turismo de experiência, capazes de preservar saberes e movimentar a economia local.

Em Pelotas, cidade marcada por patrimônio histórico, literatura, charqueadas, doces e forte identidade regional, os CTGs ocupam um lugar estratégico. Eles ajudam a contar a história do Rio Grande do Sul por meio da prática cotidiana: no ensaio da invernada, no preparo do carreteiro, no som da gaita, na declamação, no fandango e no encontro em torno do fogo de chão.

Indumentária gaúcha